Fundação do primeiro grupo Quilombola do Brasil.

 


Ontem 01 de agosto de 2021 na cidade de Macaíba o movimento Escoteiro do Rio Grande do Norte vivenciou um momento marcante em sua história e na história dos Escoteiros do Brasil, na (data) de ontem aconteceu a assembleia de fundação do Grupo Escoteiro Zumbi dos Palmares 190/RN, assim fundado o primeiro grupo Quilombola do Brasil. O grupo 190 teve sua abertura apadrinhada pelo grupo GEAS 138/RN e incentivo da Prefeitura de Macaíba.

Comunidade  Capoeiras localizada no município de Macaíba foi formada no século XIX por negros libertos do interior do estado. Segundo a Fundação Cultural Palmares, há 60 comunidades quilombolas no Rio Grande do Norte. Dessas, pelo menos 22 comunidades já se reconheceram como tal e 20 estão em processo de regularização e reconhecimento pelo INCRA. Capoeiras é considerada a maior comunidade quilombola do estado e está localizada na área rural de Macaíba, há 65 km de Natal. Atualmente, conta com 350 famílias em seu território. É forte a ideia que todos compartilham de um mesmo traço genealógico, resultando na compreensão que seus habitantes pertencem a uma mesma família, no que fortalece o sentido de comunidade e identidade.

Durante a Guerra de Secessão dos EUA, Macaíba se tornou um importante centro comercial. A guerra fez com que os norte-americanos não produzissem o algodão necessário para os consumidores europeus, no que beneficiou a cidade. A partir disso, foram muitas as pessoas escravizadas que chegaram ao estado com o intuito de servir de mão de obra para cobrir essa demanda. Os negros escravizados vieram, sobretudo, de Pernambuco, instalando-se além de Macaíba, nos Engenhos de Cunhaú e nas regiões de Goianinha e Canguaretama.

A memória da comunidade é compartilhada, de maneira geral, a partir da oralidade, que vai sendo repassada de geração em geração. Os relatos dos moradores nos conta que a comunidade de Capoeiras foi formada ainda no século XIX por negros libertos oriundos da Serra do Martins, Vale do Açu, Ferreiro Torto e Engenho de Cunhaú. Antes da colonização, o território ela ocupado por índios tupis. Teria sido Luís Garcia e sua esposa “pulca”, vindos da Serra do Martins, os responsáveis por ocuparem as terras e darem início a comunidade.

Atualmente, seus habitantes vivem da agricultura de subsistência, da comercialização da mandioca e da fabricação de tijolos. Sua tradição religiosa mescla os valores do cristianismo católico e evangélico com aqueles de origem africana. A comunidade também se orgulha de uma antiga tradição, a dança do pau-furado, um folguedo, onde só participam os homens da comunidade, e mistura o coco de roda com o jogo de capoeira.

Somente nos anos de 1990 que a comunidade passou a se mobilizar para reivindicar o reconhecimento que ali era um remanescente de Quilombo. Foi de grande ajuda a participação de organizações e movimentos negros nessa luta pela valorização da cultura de Capoeiras. 



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